segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É.

Eu sou alguém aqui. E agora. Sou alguém louco, alguém inexistente. Sou alguém com, talvez, muitos amigos (imaginários). Sou alguém que se olha no espelho e não vê nada.
Sou alguém que fala sozinho nas escadas no metrô. Recita seus (meus) versos para ninguém.
Alguém que poderia ter morrido. E matado. E se tivesse matado algum dos meus amores, meu deus, como morreria. E sofreria antes disso, na tortura infinita do suicídio. E sofreria pela eternidade depois, pois teria arrancado a vida de alguém valioso.
Alguém sem certeza do que escreve, sem regras gramaticais. Sou alguém.
Sou alguém que não vê sentido em não poder encarar grandes olhos escuros. Alguém bêbado (a).
Sou alguém com ânsia. Do trauma. Da pinga.
Alguém que chora sozinho nas escadas da Paulista.
Sou aquele que não liga. E não pense que não penso. Sou somente boba. Recitando meus versos. No metrô. Antes da bronca da mãe.
Sou orgulhosa do orgulho que não faz sentido. Sou alguém sozinha. Pois tudo é imaginação, sei disso. Imaginários, já disse. E amo tanto essas produções de minha mente. E dói, como te falei hoje.
Sou alguém previsível. Mando mensagens. Sou alguém covarde.
Sou carente. E envergonhado. E sou neutra em algumas coisas. Gritando e ficando tímida. Sou alguém mutável, completamente.
E não me odeie por isso. Ou por outros motivos. Sou alguém louco. Completamente debilitada.
Olhos pequenos e escuros. Olhos quase claros. Muitos pares de olhos. Todos me encarando, com amor, quem sabe. Mas acusando também. Pois sou podre. Sou alguém de dedos tortos. E mãos infantis, feias. Sou alguém que perdeu metade disso tudo pelo caminho. E que pode (vai) perder a outra metade no passar dos anos. Ou dos dias. Sou alguém que desconfia.
Sou alguém vunerável. Com sentimentos de Chuck Norris (ria agora, é essa a hora). Nunca vou perder a piada. E desculpe se meu rosto sério te afeta. Quero sorrir. Pra fazer a todos somente o bem. Pois sou fraca. E volúvel. Sou alguém que não se ama. Alguém dependente.
Jogo essa responsabilidade, eu sei. E peço desculpas por isso. Sou alguém que sente muito, mas que não fala. Tenho nariz empinado, ainda. Não pergunte, também desconheço a razão.
Sou alguém que não precisa ter suas palavras lidas. Pois estas palavras não condizem com a falsidade que é base do que você acha ser eu. Nem eu sei quem sou. Já não sei o que é mentira. Já não sei o que é vindo realmente da concepção. Sou alguém que mente (e que novidade).
Sou alguém... abandonável, no final das contas. Você verá. Fale que é besteira agora, mas verá.
Pois me olho no espelho e não vejo ninguém. Olho minhas unhas, meus trejeitos. E tudo parece montado. Preciso do útero novamente. Preciso do calor da proteção. Do mundo, dos outros, de você e, principalmente (por mais brega que isso soe), de mim mesma.
Acho que sou alguém que nunca chorou e nem vai conseguir chorar todas as dores que envenenam tanto.
Sou absolutamente, irrevogavelmente, ninguém.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Estação

Tudo é recorte, pedaço perdido. Sou incompleta, estou em frações.
E mais uma vez, perdida em mim, me desespero.
- Filha, está tão abatida.. - ela diz, aflita.
Estou entre o choro e a náusea, vendo faixas pretas, imagens sem alma. Desculpe, mamãe. Estou frágil como um cristal antigo e empoeirado. E opaca. Suja.
Exaustão. Sabe o que é isso? Exaustão daquela que incapacita mente e corpo, mas é vil e não te deixa repousar. E se você teima, tem pesadelos. O cansaço te prega peças. E você sonha estar caindo no infinito, pulmões comprimidos, ouvidos queimando. A cama parece te engolir e o coração já acorda disparado. O dia seguinte passa por você enquanto você olha assustado para todos os cantos, procurando o Murphy que vai te foder.
Então tudo se torna zunido, barulho dolorido, sinfonia de obra. O mundo gira, eu não posso acompanhar. Quero parar e filosofar, fazer piada-sem-graça no banco da pracinha. Sentir o cheiro do café e encarar a fumaça do cigarro, da boca, descobrir seus caminhos.
E não posso, ironicamente. É verão. Não posso, simplesmente. E não sei o motivo. Nunca soube.

sábado, 14 de novembro de 2009

E eu não vou mudar quem eu sou... Provavelmente vou me machucar, mas vou ser fiel à minha índole.
E foda-se! \o/


(beuds, claro)

sábado, 31 de outubro de 2009

Chapads.

"Ela queria viajar, viajar, para não ficar somente olhando fotos. Inveja veio forte, como sempre. E a raiva da família, sempre tão errada. E se não fossem errados, a vida seria diferente. E seria feliz, talvez. Talvez não, somente esperança de em uma outra dimensão ter felicidade. Esperança, somente."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Forrest.

Quero correr. Sentir o corpo esquentando lentamente, o vento às vezes arrepiando a nuca. Pernas doendo, os músculos todos perceptíveis.
Quero o cabelo voando, os olhos quase fechados, o coração alucinado. Tocar o chão de leve, sorrindo com a liberdade. Correr sem medo de cair, correr sem obstáculos.
Pensamentos sorrateiros fora da mente, somente almejando a próxima árvore, a próxima curva fechada.
Falta de ar sem precisar gritar. Sentir-me gritando no silêncio absoluto. E gritar, enfim. Expulsar tudo, tudo. Braços bem abertos, preciso de toda a magnitude desse momento tão meu.
E quero então somente olhar as nuvens. Respirar devagar e ouvir as palpitações no peito se acalmando. Ouvir o mar...
E ficar tranqüila. Por alguns segundos, que seja!, mas ficar tranqüila.
Preciso correr.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

I wish.

On the floor of Tokyo
Or down in London town to go, go
With the record selection
With the mirror reflection
I'm dancing with myself

When there's no-one else in sight
In the crowded lonely night
Well I wait so long
For my love vibration
And I'm dancing with myself

Oh dancing with myself
Oh dancing with myself
Well there's nothing to lose
And there's nothing to prove
I'll be dancing with myself

If I looked all over the world
And there's every type of girl
But your empty eyes
Seem to pass me by
Leave me dancing with myself

So let's sink another drink
'Cause it'll give me time to think
If I had the chance
I'd ask the world to dance
And I'll be dancing with myself

Oh dancing with myself
Oh dancing with myself
Well there's nothing to lose
And there's nothing to prove
I'll be dancing with myself

domingo, 18 de outubro de 2009

"Vocês entenderam? Não entenderam nada, né?!"

Incrível como quando eu abro essa janelinha do blogger, as palavras somem. Caramba, tinha um texto pronto na cabeça, só faltando uma ordem minimamente compreensível. Que inferno.

Enfim, hoje foi o dia do azedume. Do não suportar me olhar no espelho. E tenho a suspeita (e o medo) de que amanhã será igual. Maldita bipolaridade essa que atinge tão forte.
Cara, eu tenho o costume terrível de acreditar no que as pessoas falam. As palavras têm um significado muito, muito grande pra mim. E parece que com os outros não funciona assim. Minha terapeuta diz que eu estou certa nesse sentido, que levo as coisas com seriedade/sinceridade. Mas, na boa, só tomo soco no olho. Não é possível que EU esteja correta. Talvez o errado seja melhor. O "errado positivo", sabe?...
Ando cansada das pressões, das cobranças. Juro que também tenho problemas. Vários. Tá tudo tão bagunçado a tanto tempo que às vezes parece que me acostumei. Que vivo bem assim. E aí eu surto. E fico nojenta. E quero sumir do Universo, infinito inexistente.
Faz um tempo que percebi essa proximidade físico-sentimental: meu quarto está uma ZONA. E só consigo ver um jeito pra ele quando me mudar de casa. Encaixotar tudo e redecorar, rearranjar. Ver com outros olhos. Entende, tirar o pó e ter um lugar certo pra cada caixinha cheia de brincos ou cartas? Não jogar tudo pela cama/chão sem visualizar de modo pragmático como as coisas podem ser melhor organizadas. Metaforicamente, essa é minha vida. E quer saber há quanto tempo meu quarto tá o caos? Acho que uns 2 anos. É, é.

Quero a boemia. Confortável boemia. Cerveja gelada e um maço de cigarro. Amigos e risadas. E conversas profundas sobre o passado e o futuro. E ter a certeza de que estarão lá. De que não sofrerei de saudade. As coisas boas não devem mudar. Mas mudam e doem. Será isso tudo cíclico? Tenho pavor de que o que penso ter agora, o pouco que me salva da alucinação constante, desapareça também. Pavor de ficar sozinha, no fim das contas. Não é disso que todos temos medo? Talvez minha loucura se torne menos suportável a cada segundo de convivência. Desculpem-me por isso. E me façam calar a boca... Façam com que algum brilho me volte aos olhos.
Tenho medo, tanto medo. E quero tanto, paradoxalmente. Sei que estou anestesiada, acordada e sentindo a navalha na pele. Acordem-me, acordem-me. Eu suplico.